No último dia 18 de junho a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) entregou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o documento do Pacto Nacional da Indústria Química. Este documento contêm números grandiosos e desafiadores, tais como: a indústria química brasileira figurar entre as cinco maiores do mundo, exibir o título de lider do segmento verde, aquele no qual os produtos são feitos com matérias-primas renováveis, e ainda reverter o déficit da balança comercial do setor.
Atualmente o segmento químico nacional responde por 3% do PIB, se colocando em nono lugar no ranking mundial, com faturamento de US$ 206,7 bilhões em 2009.
No estudo que foi entregue ao BNDES, com intuito de concretizar uma parceria que viabilize esse projeto, existe a perspectiva de potenciais investimentos de cerca de US$ 167 bilhões entre 2010 e 2020. Esse investimentos já levam em conta a expansão econômica projetada para o período, a perspectiva de mudar o atual quadro deficitário da balança comercial setorial, o aumento da demanda pela bioquímica e ainda as oportunidades abertas com o pré-sal.
O Estudo, aponta que para reverter o saldo negativo da balança comercial, que em 2009 foi de US$ 15,7 bilhões - 32,3% menor do que em 2008 por conta da retração provocada pela crise econômica global -, seriam necessários outros US$ 45 bilhões, em expansões de capacidade e inovação, fundamental para fazer do país uma base exportadora.
Mas para tornar realidade o projeto de uma indústria química entre as maiores do mundo, o país precisa superar gargalos estruturais. Um dos gargalos destacados pelo estudo é a carência e, por sua vez, o preço de matérias-primas como gás natural e nafta, que afetam a competitividade dos produtos nacionais. Outros grandes entraves são a logística, desequilíbrios tributários e garantia de suprimento de energia a preços competitivos. O suprimento em si preocupa menos, uma vez que há vários projetos energéticos em curso no país.
Uma das maiores queixas do setor, segundo a ABIQUIM, é que o gás custa três vezes mais aqui do que nos Estados Unidos, por exemplo. O gás natural é um insumo básico para a produção de fertilizantes, o maior vilão da balança comercial do setor. Só com a importação de intermediários para fertilizantes, como cloreto de potássio, ureia e amônia, o país gastou cerca de US$ 2,5 bilhões no ano passado.
Por não ter abundância de gás natural, o produto, ainda é importado da Bolívia. Como a prioridade é o atendimento ao setor elétrico, isso dificulta a vida do setor industrial químico, que depende de um fornecimento garantido e de longo prazo deste insumo.
Fonte: Valor